Atualização da AHA redefine manobras de desengasgo e amplia chances de salvar vidas

A American Heart Association (AHA) divulgou em outubro de 2025 novas diretrizes de primeiros socorros, destacando mudanças nas manobras de desengasgo. O protocolo “5 pancadas + 5 compressões” passa a ser o padrão mundial para ajudar adultos e crianças conscientes, aumentando as chances de sucesso antes da chegada do resgate.
profissional demonstra manobras de desengasgo em bebê durante treinamento da AHA.
As novas diretrizes da AHA orientam que, em bebês, as manobras de desengasgo sejam feitas com cinco pancadas nas costas seguidas de cinco compressões torácicas. (Imagem: Divulgação AHA)

A obstrução das vias aéreas por engasgo é uma das emergências domésticas mais temidas, mas também uma das mais tratáveis quando há preparo. Agora, um ajuste simples pode salvar ainda mais vidas. A American Heart Association (AHA) atualizou neste mês de outubro suas diretrizes oficiais de primeiros socorros e reanimação cardiopulmonar (RCP), redefinindo as manobras de desengasgo em adultos e crianças conscientes. A partir de agora, a recomendação é alternar cinco pancadas nas costas com cinco compressões abdominais, sequência chamada de “5 e 5”. Essa mudança, publicada na revista Circulation, substitui as normas de 2020 e reflete novas evidências científicas.

Evidência científica e prática das manobras de desengasgo

Segundo Ashish Panchal, médico e coordenador do Comitê de Emergências Cardiovasculares da AHA, a decisão consolida décadas de estudos clínicos e observações em campo. Pesquisas recentes mostraram que as pancadas nas costas ajudam a deslocar o objeto obstrutivo antes das compressões, facilitando a ventilação e reduzindo o risco de asfixia. Além disso, a combinação das duas técnicas torna o ensino das manobras de desengasgo mais acessível para leigos e profissionais de saúde, o que amplia a capacidade de resposta em locais públicos. A AHA também reforça que reconhecer os sinais de engasgo — como tosse ineficaz, dificuldade para respirar ou incapacidade de falar — é o primeiro passo para agir corretamente.

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Atualizações para bebês e públicos específicos

Nos lactentes, as manobras de desengasgo foram ajustadas para oferecer mais segurança. A nova orientação prevê cinco pancadas nas costas seguidas de cinco compressões torácicas com o calcanhar da mão, sem o uso das compressões abdominais. Já em gestantes e pessoas com obesidade, o protocolo indica compressões no centro do peito, substituindo a pressão abdominal. Assim, as diretrizes reconhecem as diferenças anatômicas e garantem que cada paciente receba o tipo de assistência mais seguro. Além disso, os centros de treinamento da AHA em todo o mundo deverão atualizar seus materiais até o início de 2026.

Educação, prevenção e confiança em emergências

As novas diretrizes da AHA não se restringem às manobras de desengasgo. Elas ampliam o acesso à naloxona, medicamento usado para reverter overdoses por opioides, e também unificam a Cadeia de Sobrevivência, modelo que orienta ações de socorro em qualquer ambiente. No entanto, o destaque para o engasgo ganhou força por envolver situações cotidianas, como refeições em família ou em escolas. Por isso, a AHA recomenda que mais pessoas sejam treinadas, especialmente professores, cuidadores e funcionários de restaurantes. O protocolo “5 e 5” mostra que pequenos gestos, quando guiados pela informação, podem evitar tragédias e fortalecer a cultura de cuidado.

Um passo adiante nas manobras de desengasgo

A atualização das manobras de desengasgo simboliza uma conquista para a saúde pública global. Ao simplificar a técnica e embasá-la em evidências, a AHA torna o conhecimento mais acessível e transforma a prevenção em ferramenta de empoderamento. No Brasil, instituições de ensino e entidades médicas já se preparam para incluir o novo protocolo em cursos e campanhas de conscientização. Cada nova pessoa treinada representa mais uma oportunidade de salvar vidas — e reafirma que, entre o medo e a ação, a diferença está em saber o que fazer.

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Alessandra Martini

Alessandra Martini é jornalista formada pela PUCRS, com MBA em Sustentabilidade. Atua no Boa Notícia Brasil na produção de conteúdos informativos sobre cidadania, educação, ciência e iniciativas de impacto positivo, pautada por ética e checagem de informações.

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