Nova geração de idosos transforma o conceito de envelhecimento saudável

A nova geração de idosos mostra que envelhecer não é sinônimo de declínio. Ciência, hábitos saudáveis e vínculos sociais sustentam uma longevidade mais ativa, autônoma e com melhor qualidade de vida.
nova geração de idosos praticando atividade física e fortalecendo vínculos
Mitiko e Carlos Nawa, de 85 e 84 anos, estão juntos há 61 anos e afirmam que o relacionamento é essencial para manter a saúde física e emocional. O casal pratica atividades físicas regularmente e cultiva a convivência como parte da longevidade ativa. (Imagem: Claudio Gatti / VEJA)

A nova geração de idosos está mudando silenciosamente a forma como o mundo enxerga o envelhecimento. Pessoas acima dos 80 anos mantêm vitalidade, autonomia e participação social ativa, mostrando que longevidade pode caminhar junto com qualidade de vida. Além disso, avanços científicos e mudanças comportamentais ajudam a transformar a velhice em uma fase produtiva e cheia de significado.

A nova geração de idosos é tema central da reportagem especial da revista VEJA, “A era dos superidosos: a revolução silenciosa de uma geração que viverá cada vez mais e melhor”. No Brasil, essa transformação é evidente: a expectativa de vida saltou de 45 anos, em 1940, para mais de 76 anos atualmente. Conforme o Censo de 2022, pessoas com mais de 60 anos já representam 15,6% da população, um crescimento de 56% em relação a 2010. Paralelamente, a Organização Mundial da Saúde projeta que, até 2030, uma em cada seis pessoas no mundo terá 60 anos ou mais.

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Nova geração de idosos além da genética

A nova geração de idosos desafia a ideia de que viver muito depende apenas da herança genética. Segundo a geneticista Mayana Zatz, professora titular da USP, o estilo de vida tem peso decisivo até idades avançadas.

Em suas palavras: “A partir dos 90 anos e, principalmente, a partir dos 100, a genética é decisiva. Até lá, o ambiente e os hábitos têm 80% de relevância.”

Portanto, escolhas diárias como alimentação equilibrada e atividade física constante moldam a longevidade saudável. Estudos indicam que exercícios podem acrescentar até 6,9 anos à expectativa de vida, reduzindo riscos de doenças crônicas.

Mente ativa e vínculos sociais

A nova geração de idosos também evidencia que saúde mental e socialização são tão importantes quanto o cuidado físico. Pesquisas com idosos de 80 anos mostram que manter vínculos afetivos preserva funções cognitivas e reduz o risco de demência. Em contrapartida, o isolamento social eleva o cortisol, favorece inflamações crônicas e aumenta em mais de 25% o risco de morte prematura. Casais longevos que estudam, praticam exercícios e convivem com amigos exemplificam como relações sociais sustentam uma velhice ativa.

Além disso, a nova geração de idosos impõe desafios à sociedade. O cuidado prolongado ainda recai sobre famílias, muitas vezes exigindo sacrifícios profissionais. Ainda assim, especialistas destacam que até 40% dos casos de demência podem ser prevenidos com controle de fatores de risco, reforçando a importância de políticas públicas e informação qualificada.

Foto de Alessandra Martini

Alessandra Martini

Alessandra Martini é jornalista formada pela PUCRS, com MBA em Sustentabilidade. Atua no Boa Notícia Brasil na produção de conteúdos informativos sobre cidadania, educação, ciência e iniciativas de impacto positivo, pautada por ética e checagem de informações.

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