Estudo inédito no Paraná aponta recuperação de memória com tratamento do Alzheimer com cannabis

Estudo da Unila aponta que tratamento do Alzheimer com cannabis pode recuperar memória e retardar progressão da doença. Pesquisa inédita no Paraná reforça esperança científica e abre caminho para novos testes no Brasil.
Nestor ao lado da mãe Nair após tratamento do Alzheimer com cannabis no Paraná
Nestor ao lado da mãe, Nair, que passou pelo tratamento com cannabis medicinal — Foto: Arquivo pessoal

O tratamento do Alzheimer com cannabis acaba de ganhar um capítulo histórico no Brasil. Conforme reportagem do G1, pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR), identificaram melhora significativa da memória em pacientes idosos após seis meses de uso de extrato com THC e CBD. Além disso, os resultados indicam desaceleração da progressão da doença, algo considerado inédito em ensaio clínico.

O tratamento do Alzheimer com cannabis foi testado em 28 voluntários entre 60 e 80 anos. Durante 26 semanas, 14 pacientes receberam extrato com 0,350 mg de tetraidrocanabinol (THC) e 0,245 mg de canabidiol (CBD), enquanto outros 14 usaram placebo. O estudo foi duplo-cego, randomizado e controlado, o que aumenta a confiabilidade científica.

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Segundo os pesquisadores, os pacientes tratados apresentaram melhora em testes cognitivos, inclusive no Mini-Exame do Estado Mental (MMSE). Enquanto isso, o grupo placebo seguiu o declínio natural da doença neurodegenerativa.

Impacto do tratamento do Alzheimer com cannabis na qualidade de vida

O tratamento do Alzheimer com cannabis também trouxe impactos comportamentais. Nair Kalb Benites, de 76 anos, diagnosticada em 2017, apresentou melhora na agitação, no sono e na irritabilidade. Conforme relato do filho, Nestor Benites, a rotina se tornou mais tranquila. Além disso, ele destaca que o preconceito ainda é um desafio.

“De forma inédita, é o primeiro estudo que mostra que, ao longo do tempo, os pacientes que recebem a cannabis recuperam memória”, afirmou o professor Francisney do Nascimento, coordenador do Laboratório de Cannabis e Psicodélicos (LCP) da Unila.

O Alzheimer afeta 1,2 milhão de pessoas no Brasil, segundo dados do SUS divulgados em 2024. Ademais, o Ministério da Saúde aponta que a doença representa até 70% dos casos de demência. Portanto, alternativas terapêuticas com potencial neuroprotetor ganham relevância diante da eficácia limitada dos quatro medicamentos atualmente disponíveis.

Segurança e próximos passos do tratamento

O tratamento do Alzheimer com cannabis utilizou doses consideradas muito baixas. De acordo com os pesquisadores, a quantidade de THC administrada precisaria ser 50 vezes maior para causar efeito psicoativo. Além disso, o frasco do extrato varia entre R$ 200 e R$ 300 e pode durar cerca de um ano.

Entretanto, para chegar às farmácias ou ao SUS, o produto precisa de autorização da Anvisa. Recentemente, a agência aprovou resolução que permite cultivo restrito por empresas, universidades e associações. Assim, o avanço regulatório pode ampliar o acesso no país.

O tratamento do Alzheimer com cannabis ainda é considerado experimental e requer estudos maiores e de longo prazo. Contudo, os resultados publicados em 2025 apontam uma nova perspectiva científica para a degeneração neuronal. Dessa forma, a pesquisa da Unila abre caminho para investigações futuras, inclusive sobre prevenção em grupos de risco.

O tratamento do Alzheimer com cannabis representa esperança concreta para pacientes e familiares. Além disso, reforça o papel da ciência brasileira na busca por terapias inovadoras, acessíveis e potencialmente transformadoras.

Foto de Alessandra Martini

Alessandra Martini

Alessandra Martini é jornalista formada pela PUCRS, com MBA em Sustentabilidade. Atua no Boa Notícia Brasil na produção de conteúdos informativos sobre cidadania, educação, ciência e iniciativas de impacto positivo, pautada por ética e checagem de informações.

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