África formará um novo mar e revela como continentes se transformam

África formará um novo mar a partir da abertura gradual do Rift Africano. O processo já está ativo, observado por cientistas e acompanhado de sinais visíveis na paisagem.
África formará um novo mar com a abertura de uma grande fenda no Rift Africano
África formará um novo mar: fenda visível no Rift Africano revela a separação gradual das placas tectônicas no continente. (Foto: Reprodução/YouTube)

A afirmação de que a África formará um novo mar não pertence à ficção científica. Ela surge da observação contínua da crosta terrestre no leste do continente, onde forças internas da Terra remodelam o relevo de forma gradual. Para quem vive na região, a paisagem parece estável. Para a geologia, porém, o cenário já mudou e indica que deve surgir um novo oceano no futuro distante.

Como a África formará um novo mar a partir do Rift Africano

O processo que explica por que a África formará um novo mar ocorre no Sistema de Rift da África Oriental, uma extensa fratura que atravessa países como Etiópia, Quênia, Tanzânia e Moçambique. Nessa região, a Placa Africana está se dividindo em duas partes: a Placa Núbia, maior, e a Placa Somali, que avança lentamente para leste. A separação cresce em centímetros por ano, um ritmo discreto, porém constante na escala do tempo geológico.

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A origem dessa abertura remonta à região de Afar, no norte da Etiópia, há cerca de 30 milhões de anos. Desde então, a fenda avançou para o sul e passou a moldar vales profundos, lagos alongados e áreas de instabilidade no solo. O estudo, publicado em junho deste ano na prestigiada revista científica “Nature Geoscience“, mostra que esses sinais ajudam cientistas a entender como, ao longo do tempo, continentes se separam e oceanos se formam.

Evidências atuais indicam quando deve surgir um novo mar

Em 2005, uma fenda de aproximadamente 60 quilômetros se abriu no oeste da Etiópia em poucos dias, com deslocamento do solo de até dois metros. O episódio chamou atenção mundial por tornar visível um processo que normalmente atua fora da percepção humana. Segundo a geóloga Lucia Pérez Díaz, do Royal Holloway College, eventos desse tipo revelam a atividade constante ao longo do vale do Rift Africano.

Quando a separação atingir maior profundidade, a água do mar poderá ocupar a fenda. Ao longo de dezenas de milhões de anos, essa entrada contínua dará origem a um novo braço oceânico, cenário já observado em outras regiões do planeta e que reforça a projeção de que a África formará um novo mar.

Embora distante na escala do tempo humano, a ideia de que a África formará um novo mar oferece uma janela rara para compreender a história viva da Terra. Cada fissura, lago ou terremoto moderado mostra que o planeta segue ativo, revelando como continentes nascem e se reorganizam ao longo de eras geológicas.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com experiência em produção editorial e atuação em projetos de comunicação institucional e social. Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens e conteúdos informativos pautados por critérios de checagem, ética profissional e compromisso com temas de interesse público e impacto social.
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