Quem é aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo do Irã e como funciona seu poder

O líder supremo do Irã ocupa o cargo mais alto do país e reúne autoridade religiosa e política. Entenda como essa função surgiu, como opera e por que segue central na estrutura do Estado iraniano.
líder supremo do Irã sentado diante da bandeira iraniana
Ali Khamenei, líder supremo do Irã, aparece sentado em ambiente oficial, com vestes religiosas tradicionais, ao lado da bandeira do país, em Teerã. (Foto: Divulgação)

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ocupa a posição mais influente do país, acima do presidente e do Parlamento. O cargo surgiu após a Revolução Iraniana de 1979 e foi concebido para garantir que o Estado permanecesse alinhado aos princípios do islamismo xiita. Dessa forma, fé e governo passaram a atuar sob uma mesma autoridade.

Origem do cargo e base religiosa

A função surgiu com Ruhollah Khomeini, líder da revolução que derrubou a monarquia do xá Mohammad Reza Pahlevi. A Constituição iraniana definiu que o país seria guiado pelo conceito de velayat-e faqih, segundo o qual um clérigo com amplo conhecimento religioso assume a condução da nação. Desde então, o líder supremo do Irã atua como guardião dos valores islâmicos e árbitro final das decisões estratégicas.

Apoio

Após a morte de Khomeini, em 1989, a Assembleia dos Peritos escolheu Ali Khamenei para ocupar o posto. Para viabilizar sua nomeação, o regime alterou a Constituição e passou a permitir que um clérigo sem o mais alto grau religioso assumisse a função. Com isso, o cargo ganhou um perfil ainda mais político dentro da estrutura do Estado.

Poder político do líder supremo do Irã e controle institucional

Na prática, o líder supremo do Irã exerce influência direta sobre os principais pilares do poder. Ele indica os chefes do Judiciário, controla os meios de comunicação estatais e comanda as Forças Armadas. Além disso, mantém autoridade sobre a Guarda Revolucionária do Irã, criada para proteger o regime e atuar paralelamente às forças militares tradicionais. Ao mesmo tempo, pode vetar decisões do governo eleito e interferir tanto em políticas internas quanto externas.

Esse desenho institucional, portanto, favorece uma centralização duradoura do poder. Analistas destacam que a criação de órgãos paralelos ao Estado tradicional ajudou a manter lealdade e continuidade, inclusive durante períodos de crise política e protestos populares.

Papel regional e desafios recentes

No plano internacional, o líder supremo do Irã define as diretrizes da política externa. Ao longo das últimas décadas, Teerã apoiou grupos aliados no Oriente Médio como parte de sua estratégia regional. Entretanto, conflitos recentes, como a guerra na Faixa de Gaza, além de mudanças políticas em países vizinhos, passaram a impor novos desafios a essa atuação.

Ainda assim, o cargo segue como o eixo central do sistema iraniano. Enquanto persistir a combinação entre autoridade religiosa e comando político, o líder supremo do Irã continuará sendo a principal referência para compreender as decisões e os rumos do país.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com experiência em produção editorial e atuação em projetos de comunicação institucional e social. Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens e conteúdos informativos pautados por critérios de checagem, ética profissional e compromisso com temas de interesse público e impacto social.
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