Descoberta de arqueólogos redefine o que sabemos sobre a origem do fogo; entenda

Descoberta em Barnham identifica a evidência mais antiga do uso deliberado do fogo por humanos, ampliando o entendimento sobre seu papel na evolução, na alimentação e na proteção dos primeiros grupos.
Fragmento de pirita usado para gerar faíscas em estudo sobre a origem do fogo em Barnham
Fragmento de pirita encontrado em Barnham ajudou os pesquisadores a identificar práticas antigas ligadas à origem do fogo, reforçando o domínio humano sobre chamas há 400 mil anos. (Foto: Jordan Mansfield / Pathways to Ancient Britain Project./Reprodução)

A origem do fogo ganhou um marco inesperado após pesquisadores identificarem em Barnham, Suffolk, no leste da Inglaterra, uma lareira de 400 mil anos. Eles também encontraram vestígios que indicam domínio humano sobre as chamas. O estudo, publicado nesta quarta (10/12), mostra que o calor transformou o solo de modo incompatível com incêndios naturais. Assim, isso reforça a ideia de uso contínuo por grupos que habitavam a região e avançavam na compreensão da chama humana.

Como o controle do fogo redefine comportamentos, a equipe aplicou métodos químicos para diferenciar queimas ambientais de fogueiras estruturadas. As altas temperaturas registradas mostraram concentração de madeira queimada e repetição de uso. Esse padrão é raro em sítios tão antigos, mas combina com práticas ligadas à origem do fogo na trajetória humana. Além disso, machados de sílex fraturados pelo calor confirmam que humanos permaneciam próximos das fontes luminosas.

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Outro indício-chave envolve os fragmentos de pirita, que chegaram de áreas distantes. Eles geram faíscas ao contato com o sílex. Para Nick Ashton, do Museu de História Natural de Londres, “este é o sítio com a evidência mais antiga da produção de fogo em qualquer lugar do mundo”. Essa interpretação sugere que o domínio do fogo já fazia parte das práticas rotineiras. Isso ampliava conforto térmico, nutrição e proteção, pontos que alimentam a evolução associada à origem do fogo.

Embora ninguém tenha encontrado ossos humanos no local, os pesquisadores destacam a presença de Neandertais em regiões próximas. Esse grupo pode ter usado o espaço. Chris Stringer, coautor do estudo e líder de pesquisa em evolução humana do Museu Britânico, afirma que eles viviam a 130 quilômetros dali. Assim, a informação torna plausível sua passagem por Barnham e reforça o cenário evolutivo em que o controle do fogo sustentava a vida cotidiana.

Origem do fogo e a virada evolutiva

Os cientistas lembram que sinais de fogo surgem em Israel, Quênia e África do Sul com até 1 milhão de anos. Não há, porém, provas de criação deliberada. Além disso, Barnham oferece uma referência inédita para entender quando humanos passaram a usar calor de forma intencional e ampliaram o domínio da chama humana.

Segundo Stringer, técnicas aplicadas no estudo podem revelar padrões semelhantes em outros sítios. Caso isso ocorra, o debate sobre capacidades cognitivas e adaptação ambiental tende a se ampliar e aprofundar investigações sobre a origem do fogo.

Caminhos futuros da chama humana

A descoberta impulsiona novas análises de sedimentos com precisão maior. Esse avanço pode abrir portas para identificar práticas ainda mais antigas ligadas à origem do fogo. Assim, ele também destaca como criatividade e colaboração moldaram a trajetória humana.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com experiência em produção editorial e atuação em projetos de comunicação institucional e social. Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens e conteúdos informativos pautados por critérios de checagem, ética profissional e compromisso com temas de interesse público e impacto social.
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