Região da Groenlândia: quanto vale ilha que Trump deseja comprar?

A região da Groenlândia voltou ao centro do debate internacional ao reunir recursos naturais valiosos, posição estratégica no Ártico e interesse crescente de potências globais.
Esculturas naturais de gelo no fiorde Bernstorff, na costa leste da Região da Groenlândia
Esculturas naturais de gelo no fiorde Bernstorff, na costa leste da Região da Groenlândia. (Foto: Divulgação)

A região da Groenlândia voltou ao radar global quando o governo dos Estados Unidos retomou, de forma pública, a discussão sobre a possibilidade de adquirir a ilha, hoje um território autônomo ligado à Dinamarca. O tema reabre um debate antigo que combina geopolítica, economia e segurança internacional. Ao mesmo tempo, recoloca uma área pouco povoada no centro das decisões das grandes potências.

Apesar de ter cerca de 57 mil habitantes, a região da Groenlândia reúne reservas pouco exploradas de gás natural, petróleo, cobre e minerais de terras raras. Assim, a indústria de defesa, o setor de baterias e as tecnologias ligadas à transição energética utilizam esses insumos. Atualmente, a China responde por grande parte do fornecimento global desses minerais, fator que amplia o interesse estratégico de outros países.

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Região da Groenlândia e os cálculos econômicos

Analistas internacionais apresentam estimativas bastante diferentes sobre o valor da região da Groenlândia. Avaliações focadas apenas nas reservas minerais indicam cifras próximas de US$ 200 bilhões. Já estudos mais amplos somam recursos naturais, presença militar e controle de rotas marítimas no Ártico, elevando o valor para até US$ 2,8 trilhões. Outras análises ainda apontam cerca de US$ 1 trilhão ao considerar o potencial inexplorado da área.

O Financial Times destaca que a região da Groenlândia tende a ganhar peso adicional nas próximas décadas com o avanço das mudanças climáticas. Assim, esse processo pode abrir novas rotas de navegação no Ártico e facilitar o acesso a áreas hoje cobertas por gelo. Com isso, cresce o interesse de governos e empresas ligadas à energia limpa e à indústria tecnológica.

Território sob a lente histórica

O debate atual também recupera precedentes históricos relevantes. Em 1867, os Estados Unidos compraram o Alasca por US$ 7,2 milhões, em uma decisão considerada estratégica naquele período. Além disso, ao aplicar metodologia semelhante, alguns especialistas estimam que a região da Groenlândia teria hoje um valor mínimo de dezenas de bilhões de dólares. Registros históricos mostram ainda ofertas formais pela ilha em 1868 e 1946, ambas recusadas.

Mesmo diante de estimativas bilionárias, a região da Groenlândia declara não ter interesse em integrar outro país e conta com o apoio de aliados europeus. Ainda assim, o debate expõe como territórios antes vistos como periféricos passaram a ocupar posição central nas discussões sobre recursos, tecnologia e segurança global, indicando um Ártico cada vez mais presente no tabuleiro internacional.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com experiência em produção editorial e atuação em projetos de comunicação institucional e social. Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens e conteúdos informativos pautados por critérios de checagem, ética profissional e compromisso com temas de interesse público e impacto social.
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