Quem foi o “Vovô Índio”, o personagem natalino brasileiro quase esquecido

Nos anos 1930, o personagem natalino brasileiro conhecido como Vovô Índio ganhou espaço em jornais e ações públicas. A proposta, porém, não se firmou no imaginário popular.
personagem natalino brasileiro Vovô Índio em ilustração histórica dos anos 1930
Representação artística do personagem natalino brasileiro Vovô Índio, símbolo de uma tentativa de nacionalizar o Natal no Brasil nos anos 1930. (Foto: REPRODUÇÃO / BBC News Brasil)

O personagem natalino brasileiro Vovô Índio surgiu em meio a uma inquietação cultural dos anos 1930: a vontade de dar ao Natal um rosto mais próximo da realidade nacional. Em jornais do Rio e de São Paulo, essa figura natalina brasileira apareceu como responsável pela entrega de presentes a crianças, inclusive em escolas públicas e ações sociais. A ideia era simples e ousada ao mesmo tempo: oferecer às famílias um símbolo natalino brasileiro que dialogasse com o Brasil tropical, miscigenado e distante do inverno europeu que moldou o Papai Noel.

Personagem natalino brasileiro e a busca por identidade

Nesse contexto, o Vovô Índio passou a circular como alternativa simbólica. Em editoriais, concursos de ilustração e até peças teatrais, o personagem natalino brasileiro foi apresentado como um velhinho sábio ligado à natureza. Além disso, essa figura do Natal brasileiro incorporava elementos indígenas, africanos e europeus, refletindo interpretações da época sobre a formação do povo brasileiro. A imprensa ajudou a difundir essa imagem e, ao mesmo tempo, estimulou o debate sobre o que seria um Natal com traços nacionais.

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Debate político e cultural

A trajetória do personagem natalino brasileiro também dialogou com projetos políticos do período. Pesquisadores apontam que Getúlio Vargas via com simpatia iniciativas voltadas ao fortalecimento de símbolos nacionais. Ao mesmo tempo, grupos nacionalistas adotaram o Vovô Índio como contraponto ao Papai Noel, visto como estrangeiro. Ainda assim, apesar do apoio intelectual e institucional, essa figura permaneceu restrita a círculos específicos, sem conquistar adesão ampla das famílias.

Com o passar do tempo, a preferência popular falou mais alto. O Papai Noel já estava consolidado no imaginário urbano, associado ao consumo, à publicidade e às tradições importadas. Assim, o Vovô Índio acabou lembrado mais como curiosidade histórica do que como um personagem do Natal brasileiro presente no cotidiano das celebrações.

Hoje, revisitar o Vovô Índio ajuda a compreender como o Brasil tentou se enxergar no espelho das próprias tradições. A história desse personagem natalino brasileiro mostra que símbolos culturais não nascem apenas de decretos ou campanhas, mas do encontro entre narrativa, afeto e cotidiano. Ao resgatar essas tentativas, abre-se espaço para refletir sobre novas formas de celebrar o Natal sem apagar experiências do passado.as formas de celebrar, sem apagar o passado nem repetir fórmulas prontas.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com experiência em produção editorial e atuação em projetos de comunicação institucional e social. Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens e conteúdos informativos pautados por critérios de checagem, ética profissional e compromisso com temas de interesse público e impacto social.
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