Primeira noite na Sapucaí aposta em biografias e ancestralidade

A primeira noite na Sapucaí reuniu Lula, Ney Matogrosso e enredos afro-brasileiros, combinando política, música e ancestralidade no Grupo Especial do Carnaval do Rio.
primeira noite na Sapucaí com desfile da Imperatriz Leopoldinense homenageando Ney Matogrosso
Imperatriz Leopoldinense apresenta enredo sobre Ney Matogrosso na primeira noite na Sapucaí, com alegoria em tons dourados e estética performática. (Foto: Reprodução)

A primeira noite na Sapucaí, realizada entre domingo (15/02) e a madrugada de segunda-feira (16/02), abriu o Grupo Especial com quatro narrativas que conectaram política, música brasileira e religiosidade afro. Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira ocuparam a avenida com enredos autorais e forte identidade cultural, definindo o tom da primeira noite de desfiles.

Além disso, a primeira noite na Sapucaí reforçou uma estratégia recorrente no Carnaval do Rio: transformar a Marquês de Sapucaí em palco de biografias públicas e afirmação de memória coletiva. Assim, a disputa por notas também passou por estética, tecnologia e coerência histórica já na abertura do Grupo Especial.

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Biografias públicas na primeira noite de desfiles

Na primeira noite na Sapucaí, a Acadêmicos de Niterói, estreante na elite, abriu os trabalhos com o enredo sobre Luiz Inácio Lula da Silva. A escola apresentou a trajetória do presidente desde o sertão de Pernambuco até o sindicalismo no ABC Paulista. Lula acompanhou a apresentação de um camarote, foi recebido pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) e desceu à avenida para beijar a bandeira da agremiação.

Ainda na estreia do Grupo Especial, a Imperatriz Leopoldinense apostou em Ney Matogrosso. Com o enredo “Camaleônico”, a escola recorreu a efeitos visuais, ilusionismo e múltiplas representações do artista na comissão de frente. A cantora Iza participou da bateria, compondo uma estética inspirada na sensualidade performática que marca a carreira do homenageado.

Cultura afro

Na sequência da primeira noite na Sapucaí, a Portela levou à avenida a história do Príncipe Custódio e referências à religiosidade de matriz africana no Rio Grande do Sul, incluindo Exu Bará. A escola incorporou inovação tecnológica ao desfile: um integrante atravessou o sambódromo equilibrado sobre um drone, ampliando o repertório cenográfico da noite.

Fechando a primeira noite de desfiles, a Mangueira homenageou o centenário de Mestre Sacaca, figura associada aos saberes amazônicos sobre ervas e raízes medicinais. A comissão de frente apresentou onças com efeitos de iluminação especial. Embora um carro alegórico tenha colidido na dispersão, a escola concluiu sua participação dentro do cronograma oficial.

Primeira noite na Sapucaí projeta disputa estética

Com isso, a primeira noite na Sapucaí sinaliza uma tendência no Grupo Especial: biografias políticas, ícones da música e matrizes africanas dividem espaço como narrativas centrais. Ao mesmo tempo, cresce o investimento em tecnologia cenográfica, iluminação, coreografia e recursos aéreos.

Dessa forma, a primeira noite na Sapucaí estabelece um parâmetro elevado para as escolas que ainda entrarão na avenida. A abertura do desfile indica que jurados deverão observar não apenas luxo e harmonia, mas também coerência temática e execução técnica ao longo da competição.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com experiência em produção editorial e atuação em projetos de comunicação institucional e social. Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens e conteúdos informativos pautados por critérios de checagem, ética profissional e compromisso com temas de interesse público e impacto social.
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