Sergio Camargo e a permanência de uma obra que segue atual

Sergio Camargo permanece atual graças a um acervo documental raro, reconhecimento crítico consistente e exposições que ampliam o acesso à sua obra no Brasil e no exterior.
Sergio Camargo trabalha em escultura abstrata em seu ateliê
Sergio Camargo durante o processo de criação de uma de suas esculturas, em imagem que revela a relação direta do artista com a matéria. (Foto: Divulgação)

A trajetória de Sergio Camargo segue despertando interesse por razões que vão além da escultura. Mesmo assim, décadas após sua morte, em 1990, o escultor brasileiro permanece presente no debate cultural. O público acompanha essa presença por meio de obras expostas, estudos acadêmicos e iniciativas que mantêm a produção do artista acessível. Dessa forma, esse conjunto ajuda a explicar por que o trabalho do artista continua dialogando com diferentes gerações.

Sergio Camargo e o acesso a um acervo raro

Parte desse interesse, por sua vez, se apoia em um legado documental pouco comum no país e diretamente ligado a Sergio Camargo. Atualmente, o Instituto de Arte Contemporânea preserva documentos pessoais, correspondências e artigos de jornal do escultor. Nesse caso, a família do artista e a galerista Raquel Arnaud realizaram a doação do material. Segundo a professora Maria de Fátima Morethy Couto, do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a disponibilidade desse acervo permite análises aprofundadas sobre a carreira do artista brasileiro. Ainda assim, esse tipo de acesso segue pouco frequente no contexto brasileiro.

Apoio

Além do acesso aos documentos, a obra de Sergio Camargo recebeu atenção contínua da crítica especializada. No Brasil, textos de Ronaldo Brito ajudaram a situar a produção do escultor no debate artístico. Ao mesmo tempo, fora do país, críticos como Denis Chevalier, na França, e Guy Brett, na Inglaterra, analisaram o trabalho do escultor. Com isso, esses estudos ampliaram a circulação intelectual e institucional do artista.

Leitura contemporânea da obra escultórica

Esse interesse também se reflete na presença de esculturas de Sergio Camargo em coleções públicas internacionais. Para Maria de Fátima, o reconhecimento do escultor envolve tanto a crítica quanto colecionadores e museus. Assim, esse conjunto contribui para a permanência do artista no circuito cultural. Como resultado, a leitura da obra do artista se mantém atual, mesmo com o passar do tempo.

Exposição e contato com o público

Nesse contexto, a exposição É Pau, É Pedra… segue em cartaz até 13 de março no Foyer do Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília. A mostra reúne cerca de 200 obras organizadas em núcleos e dedicadas à trajetória de Sergio Camargo. Dessa maneira, a curadoria convida o público a compreender a coerência e a amplitude da pesquisa do escultor brasileiro. Além disso, ao ocupar um espaço simbólico da capital, a iniciativa amplia o contato entre arte, memória cultural e vida urbana. Com isso, o artista segue em circulação ativa no cenário brasileiro.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com experiência em produção editorial e atuação em projetos de comunicação institucional e social. Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens e conteúdos informativos pautados por critérios de checagem, ética profissional e compromisso com temas de interesse público e impacto social.
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