Estudante sem acesso internet descobre aprovação na UFPA após visita de diretora

A história de uma estudante sem internet no Marajó revela como o apoio direto da escola garantiu o acesso à informação e à universidade pública, mesmo sem conectividade digital.
estudante sem internet recebe notícia de aprovação na UFPA em comunidade ribeirinha do Marajó
Estudante sem internet descobre que passou na UFPA após visita da diretora da escola no Marajó. (Foto: Arquivo pessoal)

A rotina de quem vive longe dos grandes centros costuma impor desafios extras ao acesso à educação. Nesse cenário, no arquipélago do Marajó, uma estudante sem internet viveu esse contraste de forma direta. A jovem só descobriu a aprovação na Universidade Federal do Pará quando a escola foi até sua casa levar a notícia.

Estudante sem internet e o caminho até a UFPA

Jarina Pereira Serra, de 17 anos, mora às margens do rio Ariri, no bairro do Choque, em Cachoeira do Arari. Como estudante sem internet, sem celular próprio e sem acesso à rede, ela não tinha como acompanhar a divulgação do resultado do Enem. Por isso, a aprovação no curso de Letras da UFPA, publicada na sexta-feira (30), chegou por meio da visita da diretora da escola onde concluiu o ensino médio.

Apoio

Segundo a diretora Janaina França, a equipe escolar acompanhou Jarina desde a inscrição no exame. Ao longo do processo, o apoio incluiu orientações, acompanhamento de prazos e o deslocamento até o município de Salvaterra, onde a aluna realizou a prova. Embora a expectativa pela aprovação existisse, a confirmação exigiu atenção redobrada da escola, justamente porque se tratava de uma jovem sem acesso digital.

Educação em áreas sem conectividade digital

A realidade de uma estudante sem internet ainda é comum em comunidades ribeirinhas do Pará. Nessas condições, a escola assume funções que vão além da sala de aula. Diante disso, ao perceber que Jarina não poderia consultar listas online, a equipe decidiu ir pessoalmente até sua residência para comunicar o resultado. Assim, a informação se transformou em um encontro coletivo.

Além disso, a notícia foi celebrada junto à família e aos moradores da comunidade. Assim, houve caminhada pelas palafitas e música tradicional dos vestibulares paraenses. De acordo com Janaina França, a surpresa foi imediata, já que a estudante sem acesso à rede não esperava receber o resultado naquele momento.

A aprovação representa mais do que o ingresso em uma universidade pública. Para essa estudante sem internet, abre-se a possibilidade de formação superior, mesmo em um contexto de restrições tecnológicas. Ao mesmo tempo, para a escola, o caso reforça a importância do acompanhamento próximo dos alunos.

Em números, em 2025, a instituição inscreveu mais de 30 estudantes no Enem. Desse total, 15 foram aprovados entre os concluintes. Assim, os dados indicam que, mesmo em territórios com limitações de acesso à informação, a atuação ativa da escola garante que oportunidades cheguem também a alunos sem conectividade.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com experiência em produção editorial e atuação em projetos de comunicação institucional e social. Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens e conteúdos informativos pautados por critérios de checagem, ética profissional e compromisso com temas de interesse público e impacto social.

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