Como funciona a IA que cria ‘reencontros’ virtuais com pessoas que já morreram

Aplicativos de IA que criam reencontros virtuais geram debate ao permitir interações com avatares de pessoas falecidas. Especialistas alertam para impactos emocionais, enquanto a tecnologia abre novas discussões sobre memória e afeto.
Homem apresenta avatar digital em celular, ilustrando tecnologia de IA que cria 'reencontros' virtuais.
A tecnologia do app 2Wai mostra como a IA que cria 'reencontros' virtuais transforma vídeos reais em avatares capazes de interagir ao vivo. (Foto: Reprodução/X)

A IA que cria ‘reencontros’ virtuais com pessoas que já morreram é uma nova possibilidade após o aplicativo 2Wai apresentar avatares capazes de interagir ao vivo com usuários. Como o vídeo de demonstração ultrapassou 40 milhões de visualizações, a tecnologia acendeu curiosidade, surpresa e questionamentos sobre os limites entre afeto, memória e digital. Embora o serviço funcione apenas nos Estados Unidos, ele já inspira discussões globais sobre conforto emocional, novas relações com a perda e responsabilidade tecnológica.

Ainda nos primeiros testes, a empresa mostra que o processo de criação leva cerca de três minutos e utiliza gravações reais para formar o avatar. Segundo a startup, o gêmeo digital reconhece o usuário, aprende informações e responde de forma natural. Assim, essa proposta também aparece em modelos como a inteligência artificial de reencontros virtuais, que oferecem versões digitais de familiares, personagens ou profissionais para diálogos guiados. Além disso, a startup afirma que o app suporta mais de 40 idiomas e que, no futuro, poderá incluir assinaturas e compras internas.

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Tecnologia e limites éticos

À medida que o assunto cresce, especialistas reforçam que o uso exige cuidado. A psicóloga Mariana Malvezzi avalia que “a tecnologia pode gerar confusão entre o real e o simulado, criar dependência afetiva e aumentar a angústia”. Para ela, a IA para reencontros digitais oferece conforto imediato, porém pode interferir no processo emocional de despedida quando utilizada sem apoio. Esses pontos ampliam o debate sobre ética, saúde mental e uso responsável das novas ferramentas, especialmente quando envolvem lembranças profundamente afetivas.

Outros casos recentes mostram que o fenômeno não é isolado. Em maio, uma versão de IA de uma vítima de homicídio participou de um julgamento no Arizona. Em outro episódio, o avatar digital de Joaquin Oliver, estudante morto em 2018 no massacre de Parkland, foi “entrevistado” por um jornalista. Esses exemplos reforçam que a grief tech avança com rapidez e provoca repercussões sociais amplas.

Expansão da IA que cria conexões virtuais

Esse cenário IA que cria ‘reencontros’ virtuais também dialoga com pesquisas que medem o interesse do público. Assim, um levantamento da ESPM revelou que um em cada quatro brasileiros se imagina usando esse tipo de tecnologia para conversar com familiares falecidos, especialmente no período de luto. Enquanto soluções evoluem, cresce a necessidade de orientação ética, apoio emocional e recursos que ajudem a transformar memória em afeto saudável. A inovação segue adiante, mas o equilíbrio entre lembrança e vida presente continuará no centro das discussões.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com experiência em produção editorial e atuação em projetos de comunicação institucional e social. Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens e conteúdos informativos pautados por critérios de checagem, ética profissional e compromisso com temas de interesse público e impacto social.

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