Como a poeira cósmica artificial está ajudando a explicar a origem da vida

A criação de poeira cósmica artificial em laboratório permite estudar como compostos químicos essenciais à vida podem ter se formado fora da Terra, antes de chegarem em meteoritos. O experimento amplia o entendimento sobre processos químicos em ambientes estelares.
Poeira cósmica artificial criada em laboratório para estudar a origem da vida
A poeira cósmica artificial funciona como análoga à matéria presente entre estrelas e ajuda a investigar processos químicos ligados à origem da vida. (Foto: Fiona Wolf/Universidade de Sydney)

A tentativa de entender como a vida surgiu passa, cada vez mais, por experimentos que recriam o espaço em escala microscópica. Nesse contexto, a produção de poeira cósmica artificial em laboratório surge como uma ferramenta para observar processos químicos que antecedem a formação de moléculas orgânicas associadas à vida.

Poeira cósmica artificial e a química antes dos planetas

A pesquisa foi conduzida por Linda Losurdo, estudante de doutorado da Universidade de Sydney, que reproduziu em laboratório partículas semelhantes às encontradas entre estrelas. Para isso, ela utilizou gases simples, como nitrogênio, dióxido de carbono e acetileno, inseridos em um tubo de vidro sob vácuo.

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Em seguida, uma descarga elétrica de 10.000 volts criou um estado de plasma. Esse ambiente permitiu que átomos de carbono se reorganizassem e formassem nanopartículas. Segundo o estudo publicado no The Astrophysical Journal, o material obtido funciona como um análogo da poeira presente em regiões próximas a estrelas e supernovas.

Laboratório reproduz processos do espaço profundo

A relevância da poeira cósmica artificial está na possibilidade de acompanhar, passo a passo, como o carbono pode se transformar em estruturas químicas mais complexas. Esses processos ocorrem naturalmente no espaço, mas são difíceis de observar diretamente.

De acordo com os autores do estudo, esse tipo de poeira atua como superfície catalisadora. Nela, moléculas simples podem reagir e dar origem a compostos orgânicos mais elaborados, incluindo aminoácidos, conhecidos como blocos de construção das proteínas.

Esses materiais, ao longo do tempo, podem ser incorporados a meteoritos. Ao atingir planetas como a Terra, eles ajudam a enriquecer o ambiente químico necessário para o surgimento de sistemas biológicos.

Hipóteses sobre a vida

A criação controlada de poeira cósmica artificial permite investigar se os componentes básicos da vida se formaram no próprio planeta ou se chegaram do espaço em fases iniciais da história terrestre. Especialistas indicam que esse tipo de experimento fortalece a hipótese de que ingredientes químicos fundamentais podem estar presentes em diferentes sistemas planetários.

Além disso, o trabalho contribui para a astrobiologia ao oferecer um método experimental acessível para estudar ambientes extremos. Ao simular condições estelares em laboratório, a pesquisa ajuda a conectar química, astronomia e biologia em uma mesma abordagem científica.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com experiência em produção editorial e atuação em projetos de comunicação institucional e social. Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens e conteúdos informativos pautados por critérios de checagem, ética profissional e compromisso com temas de interesse público e impacto social.

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