Brincar é Direito: comunidade transforma praça em refúgio infantil

No Campo Limpo, moradores revitalizam praça e mostram que brincar é direito possível. Com união, garantem inclusão, segurança e alegria para todas as infâncias.
Crianças brincando felizes na praça do Campo Limpo, reforçando que brincar é direito garantido por lei.
Em Sobral (CE), um espaço de grande circulação de veículos perto de uma escola se transformou na Praça Primeira Infância. As intervenções do Movimento Urban95 permitiram as crianças brincarem com segurança. (imagem: Divulgação Lunetas)

Brincar é direito e precisa ser levado a sério. Embora garantido em lei, esse direito básico muitas vezes é ignorado nas periferias urbanas. No entanto, no Campo Limpo, em São Paulo, a história ganhou outro rumo. A comunidade se organizou e provou que a transformação de um território começa pelo cuidado com as crianças.

A praça local estava esquecida. Contudo, ao unir esforços, moradores promoveram mutirões, rodas de conversa e abaixo-assinados. Aos poucos, o espaço foi se tornando um verdadeiro refúgio. Hoje, crianças correm livres, pais conversam com tranquilidade e a praça pulsa vida.

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Além disso, essa iniciativa foi registrada no documentário Brincar É Direito, que mostra como o engajamento popular pode mudar realidades. O filme reforça a urgência de reconhecer o brincar como parte da cidadania.

Brincar é direito socialmente necessário

De acordo com o Marco Legal da Primeira Infância e a Lei da Parentalidade Positiva, brincar é direito que deve ser assegurado pelo Estado. No entanto, é a comunidade que muitas vezes assume esse papel. Felizmente, quando isso acontece, surgem espaços afetivos, seguros e vivos.

Como afirma Maria Isabel Amando de Barros, do Instituto Alana: “Espaços públicos bem cuidados conectam pessoas e promovem o desenvolvimento saudável” (Lunetas, 2023). Ou seja, revitalizar praças e parques impacta diretamente o bem-estar coletivo.

Ao mesmo tempo, esse tipo de iniciativa fortalece a convivência e reduz desigualdades. Afinal, quando todos podem brincar, todos pertencem.

Campo Limpo mostra que é possível lutar

O exemplo do Campo Limpo revela que brincar é direito realizável mesmo em cenários desafiadores. Ao invés de esperar por soluções externas, os moradores atuaram de forma coletiva e estratégica. Como resultado, o bairro ganhou um novo ponto de encontro e convívio.

Consequentemente, crianças se sentem mais seguras, os adultos se reaproximam do território e o espaço público ganha novo significado. Além disso, a praça virou símbolo de autonomia, afeto e mobilização.

Vale lembrar que o brincar não exige luxo. Exige presença, cuidado e respeito. Por isso, espaços simples podem transformar vidas quando estão disponíveis, bem cuidados e abertos à participação popular.

Cidades mais humanas nascem do reconhecimento de que brincar é direito

Cidades que priorizam o brincar tornam-se mais inclusivas, seguras e acolhedoras. Quando crianças ocupam o espaço urbano, há menos violência, mais diálogo entre gerações e uma convivência mais saudável.

Segundo a Rede Urban95 (2022), políticas públicas centradas na infância ampliam a qualidade de vida para todas as faixas etárias. Portanto, investir no direito ao brincar é também construir comunidades mais fortes.

Além disso, revitalizar espaços públicos traz impactos emocionais e sociais profundos. A experiência do Campo Limpo comprova que o cuidado com a infância pode redesenhar bairros inteiros.

Brincar é direito e semente de transformação social

A praça do Campo Limpo representa mais do que um local para brincar. Ela simboliza uma conquista coletiva. Com coragem e criatividade, os moradores demonstraram que brincar é direito concreto — e lutar por ele é construir dignidade.

Segundo o Lunetas , iniciativas como essa inspiram outras comunidades a reconhecerem o valor da infância e a ocuparem seus territórios com presença e propósito.

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Foto de Alessandra Martini

Alessandra Martini

Alessandra Martini é jornalista formada pela PUCRS, com MBA em Sustentabilidade. Atua no Boa Notícia Brasil na produção de conteúdos informativos sobre cidadania, educação, ciência e iniciativas de impacto positivo, pautada por ética e checagem de informações.
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